
molhe-se nas lágrimas choradas pelas nuvens
sinta-as salgadas pela imensidão dos oceanos
as nuvens estão lamentando
há algo que as fez tristes
e elas não irão parar até estarem exauridas
os oceanos, como a memória de um elfante
por toda sua vida lembrarão das histórias em que nuvens imensas
uniram-se em uma tempestade e esbravejaram com vozes ferozes como trovões
e dentes afiados como raios partindo o céu
sem hesitar os oceanos acatam esse pranto
o sol reaparece e nasce um dia no mesmo dia
após uma escuridão como a da noite trazida pela tormenta
dois começos em um
os raios de sol partem o que restam das nuvens e rasgam para um novo dia
você, sentado na varanda de sua casa, que assistiu a todo o desabafo da terra
reclamando o que é seu
sente-se aliviado por ter acabado
inspira os ar fresco que está ascendendo com cheiro de grama
e olhando para tudo isso, pensa consigo que existem coisas erradas
coisas que precisam mudar, coisas que acabou de ouvir
coisas que a natureza bradou a plenos pulmões
e você não escutou.
mas a culpa não é sua, não sinta-se culpado
não era para você escutar e muito menos entender.
era a sua natureza recebendo um comunicado de sua mãe
e essa natureza em você entendeu o recado.
um dia, quando novamente a natureza mostrar seu lamento
através de raios e trovões encobertos por chuvas de lágrimas
deixe essa flor dentro de você desabrochar
abra esse canal, permita essa voz inaudível de dentro de você falar
não faça questão de entender
apenas seja o meio entre essas duas grandezas imensuráveis
quando você se for, elas ainda estarão aqui dizendo tudo que você jamais entendeu
contando como as histórias se repetem
e os espectadores vêm e vão cheios de pressa.
então, antes que tudo acabe
aqueça-se ao sol e deixe que ele seque suas lágrimas
o mesmo sol que relembra e cria nuvens que choram
de olhos fechados, eleve seu queixo
sinta a carícia do vento
e sorria em resposta de volta para o horizonte