sábado, 27 de maio de 2017

a volta pra casa

ontem era
outrem era
e eu queria ser

e com você eu fui
fui onde queria estar
e estarei

nas brechas dos sons
as pausas para os silêncios

e nos silêncios, as entendências
as concordâncias
as vontades,
as desejo


no lugar que estamos, quando estamos
a gente flui
a gente é

a cadência dos nossos compassos orquestrados pela cor
conduzida pela levada do que não é a gente e não é nosso
que quando levam, o nada trazem de volta
e é bem vindo


o que a gente ouve
essas coisas quando tocam, tocam.

domingo, 18 de setembro de 2016

ser.há

há aqueles dias

há aqueles dias em que queremos viver
há aqueles dias em que não queremos viver
e
há aqueles dias em que queremos não estar

no entanto não há estar sem ser
e o ser é

há aqueles dias em que nos tiram a vida
e seguimos menos vivos

há aqueles dias em que nos tiram a morte
e vivemos mais vivos

há aqueles dias em que sem, estamos com

há aqueles dias que somos só
e
há aqueles dias que somos sós

há aqueles dias em o sol ensolarado não joga luz na escuridão
e ela corre junto

há aqueles dias em que a noite com sua horda de breu acolhe
e viramos mais um, misturamos

há dias em que o torto, o corrompido, o incompleto, o sedento, o transgressor
sobe ao palco e é admirado despreocupado com o que irá dizer

há dias e há noites

há eu e há você

há nós e há o nosso

há o te fazer

há o nos desfazer

há o seu desconstruir 

há o nosso florescer

há amor

e

há mar.



quarta-feira, 15 de julho de 2015

a história de Bê e Jô.


assim que começou.
ele entrou.
ela já estava lá.
não se cruzaram, não se viram, nem cruzaram o olhar.

assim estavam, distantes.
seus corpos vibravam energia
emanavam calor

então ficaram perto.
então saíram dali.
mesmo estando ainda no mesmo cômodo
o incômodo se desfez porque não estavam mais lá.

próximos.
perto.
orbitando.

um ao outro.

a atração do desconhecido,
do nunca visto,
do novo,
da mudança,
do que intriga,
daquilo que desperta interesse.

assim, sem jeito, confortáveis.
aconchegados em seus desconfortos.

a timidez que se diluí na tentativa,
que se esvai na ação
e se perde no ato a ser consumado.

a consciência da mutualidade da situação os abraça
fazendo com que se juntem

a reciprocidade do desconhecido, liga.

conectados. e ainda não se tocam.

palavras nunca foram pronunciadas entre eles.

o silêncio é sua mais pura forma de comunicação
ao atingirem esse ponto.
essa estranha intimidade de estranhos
os torna livres de palavras.

essa liberdade do verbo expõe seus corpos,
ficam frágeis pois os lábios perderam suas funções

não supérfulos.
não vestigiais.

lábios livres de palavras.

entreabertos,
a respiração é o que os separa,
é o que os toca, ainda sim, o ar falta.

aproximam.

desajeitados, com graciosidade de quem está aprendendo pela primeira vez,
eles se encostam.
os lábios.
a respiração cessa.
o ar nao entra.

texturas se tocam,
temperaturas oscilam
e a troca acontece.

lábios que perderam sua função de articular palavras,
foram esse os primeiros a beijar.
eram esses, Bernando e Joana,
estranhos que se conheceram, se olhando.
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recomendação de trilhar sonora para a re-leitura do texto.
https://www.youtube.com/watch?v=TP9luRtEqjc
<3 font="">

segunda-feira, 15 de junho de 2015

teardrop

A beleza vem da organicidade. A beleza pura e verdadeira, antes de tentar ser replicada, é apenas, pois ela termina, como tudo deve terminar. A partir do momento que ela tenta ser eternizada, ou postergada que seja, sua essência se perde e ficamos apenas com o corpo, vazio e sua integridade também é perdida. A beleza é em seu auge, bela e indescritível, pois não nos atentamos que apreciá-la naquele momento é uma dádiva, por isso chamamos de presente e devemos nos relembrar disso com maior frequência. Ser grato pelo presente que é o momento, que só é momento, porque o observador é tão orgânico quanto o objeto findável admirado. Nos exercitar a saber que o orgânico é finito e sua duração é mais curta do que gostaríamos, nos permite estar no momento, sabendo que aquilo é tudo o que temos e mesmo tendo, não existe posse sobre ele. Ele é instável, volátil, lascivo, cru e indomado.  O momento é orgânico, selvagem e irracional como ele se apresenta, aprender a apreciá-lo é um trabalho. Ele, assim como todas as formas de beleza é orgânico e lindo e perfeito, pois ele acaba. Passa. Finda. A beleza que não notamos na vida, ou que mais comumente damos conta perto da morte é que ela acaba. tudo o que fizemos, criamos, acaba conosco e isso da espaço para outro novo tomar nosso lugar. Nossa organicidade, faz de nós lindos, de uma beleza imensurável, mas essa beleza não vem só, ela traz consigo seu término. Seu término, nada mais do que isso. Sem valores, nem bom, nem ruim. A beleza apenas é. Somos belos porque iremos morrer e temos que desconstruir a crença que paira subjetivamente, de que a morte é algo que podemos dar juízo de valor. A morte é tão bela quanto a vida, pois um não caminha sem o outro. Ambos são uma só coisa, sem distinção, sem diferenciação.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

sem.tido

jamais teria chego onde cheguei hoje
se não fosse pela procura.

a loucura de encontrar um motivo.
uma razão.

a vontade de ter um sentido
de fazer sentido
de ter, sem ter tido.

aqui escrevo 
marco um ponto
relato

a procura é interminável
a menos que nos entreguemos ao que realmente é
e o que é, apenas precisa ser.

simples.
puro.
apenas.

ser.

se nos deixarmos levar
estaremos deixando passar
seremos consumidos pelo tempo
pelo dia, pela noite e o dia que vem de novo.

e sim, de novo ele tem tudo, apesar de ser o mesmo
de uma maneira diferente, pois ele é o que já foi, adicionado
de tudo o que foi vivido.

eu nunca teria tido a experiência de viver o momento,
sem ter tido o anseio de procurar sentido, que me levou
a perceber que devemos apenas ser.










quarta-feira, 4 de junho de 2014

Pré.so

Ignorância é a mais segura das prisões.

Sair e conhecer o mundo
É um banho de incertezas.
Medos
Desconhecidos aterrorizantes
Abismos que não sabemos se terão fim

Quero me perder sem a preocupação de me achar.

Sem fim
Sem começo
Sem limites
Sem contornos
Sem delineamentos

Perdido em uma esquizofrenia de poder ilimitado, porque eu serei o meu deus.

sábado, 24 de maio de 2014

com.tato


me sinto rodeado por um sentimento
um sentimento que me olha nos olhos
fundo

um sentimento que não importa para onde eu for
ele não está atras de mim,
mas sim na minha frente
sempre me encarando

não importa para que lado eu olhe,
ele me olha de volta

ele se aproxima e eu fico imóvel
ele vem ao meu encontro
e quando me encontra,
me devora,
me mastiga
e me come.

agora sou parte dele

apesar de me perseguir como uma besta feroz
ele não é perigoso e nem ruim

deixo que ele me parta com seus dentes
e me rasga com suas garras

me desfaz de tudo que sou e sempre soube
me desconstrói
me desarruma
e me despedaça

tudo isso, da maneira mais gentil conhecida pelo homem
carinhosamente ele se alimenta em mim

e quando está saciado,
quando está apossado de mim

então esse sentimento passa a ser meu
e agora posso senti-lo sem medo
posso sê-lo 
e usá-lo

esse sentimento que agora é sensação
me agrada e me conforta.

me sinto à vontade para olhar nos seus olhos e dizer "você é linda".

<3 font="">






sexta-feira, 16 de maio de 2014

Lovestream

It's about letting it flow like water. Let love flow like a river and when you meet the ocean... well, you tell me how it feels.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

death is the road to awe


e se eu apostasse todas minhas fichas em você?
e se eu fizesse todas as suas vontades?
e se eu fosse mais do que você pode imaginar?

ainda sim, iria pedir mais?
ainda sim, iria voltar? 
ainda sim, não desistiria?

é claro que você não sabe.
é claro que você diria que "sim"
é claro que iria corresponder, o que quer que fosse.

é claro...

estou no fundo do poço
não há mais para onde fugir
você fez meu coração bater tanto em mim,
que estou esgotado, 
não aguento mais uma batida
olho para cima e percebo
estou no fundo do poço, poço dos desejos

virei o depósito de tudo que você jamais sonhou
conheço cada canto da sua personalidade intrínseca

jogado onde você me jogou
estando aqui nesse fundo
vivo nesse chão de terra molhada,
de onde a água começa a brotar

gela meus pés, eu arrepio
cobre meus tornozelos, começo a perder a sensibilidade
já pelos meus joelhos, a respiração fica ofegante
no momento em que atinge minha barriga, entro em um estado de meditação

a água que brota, me dá vida, volto-me para mim em meio a esse sofrimento de prazeres

mantenho o controle até a altura do pescoço,
quando, toca meu queixo, me perco
o frio da água  envolvendo cada pedaço de mim,
faz com que meu corpo em estado catatônico, passe a tremer descontroladamente
a respiração perde o compasso, os músculos vibram
e então a água me cobre e seu nível continua subindo

envolto nesse desconforto, sinto meu corpo leve
agora o nível sobe rápido, meus pés descolam do chão
estou ascendendo
estou me elevando

carregado com todos os desejos que encontrei no fundo daquele poço
eu disparo de maneira estratosférica
subo
cresço
entro em mutação
evoluo
e mudo

obrigado!

não sou mais físico
não sou mais corpóreo
não sou mais palpável e nem tangível

sou sentido pelos sentidos e pelo coração

não estou presente e ao mesmo tempo faço parte
pertenço enquanto sou ausência

sou o universo que te rodeia
que te guia e que te rege
sou a energia que se tornou matéria para você poder ser
sou teus brios, sou teu dentro, sou nas tuas entranhas, 
cada
pedaço
de você.





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Você e eu sabemos que você não chegou aqui à tôa. Se você chegou aqui, assista esse trecho do filme A Fonte.

https://www.youtube.com/watch?v=vpMU6TG2rnw


segunda-feira, 5 de maio de 2014

facil.idade


me movimento, me mexo e me embrenho
minha vontade toca, respinga e atinge quem encontro pelo caminho

me vejo no caminho para me encontrar,
mas esse caminho é cheio de pessoas.
pessoas que querem saber de si
pessoas que querem
pessoas que não sabem se querem

algumas esbarro porque estão paradas,
outras vou de encontro e dou de frente
ainda há as que apenas encosto, quase sem tocar

mas todas e cada uma muda meu trajeto
passo a navegar uma rota diferente a cada encontro

desejado ou indesejado
esses encontros acabam me apontando para uma direção diferente

em meio a esse mar de pessoas,
ondas de frases sem sentido
tempestades de anseios
calmarias de sinceridade
e redemoinhos de relações,
levanto meu queixo e ando na prancha.

de olhos fechados e sorriso confiante, 
não conto os passos firmes que dou sem saber quando irei cair

aproveito o momento.
seco, protegido, seguro.

mergulho,
sou envolvido pela vida por todos os lados,
me afogo.

os instantes de luta até o mar de pessoas se infiltrar em meus pulmões são agonizantes.
sofro. não quero.

não tenho escolha, inspiro.
o que entra, que me preenche e que me faz viver,
era o mesmo que eu temia, tolamente, que entrasse.

pessoas, relações, encontros, acasos, coincidências, sincronicidade, interações,
tudo o que eu não tinha, me inunda por dentro, me fazendo transbordar e expirar vivo.

o que nos faz vivos é aquilo que tememos.
fale, expresse-se, diga, comunique, faça o que tem vontade, com quem tem vontade.

se você gosta de quem é, agradeça a todos que já inspirou.
e todos que já expiraram e tiveram que ir.

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Me apaixono por todos que conheço na vida, das mais variadas e diferentes formas, mas com certeza amo cada um que passou e por ser quem era, me afetou de alguma maneira. Fico surpreso como pode ser fácil amar, uma vez que você se permite. 

O que estou tentando dizer é, amo todos que conheci. Se você está lendo isso, obrigado.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

a saga do inexprimível.

a segurança de encontrar alguém.
a incapacidade de se expressar como desejado.

as limitações impostas pelo mundo físico.
mas que ao mesmo tempo, esse mesmo mundo que nos limita,
devido aos seus limites e contornos, nos permite ser duas coisas e,
a partir dai faz nascer o sentimento de querermos ser apenas um.

a constante batalha entre a unidade universal e egocentrismo individualista, sempre cômoda.
temos que ser gratos por nossos limites, afinal são essas limitações que fazem nós querermos transcender. claramente, se já estivéssemos do outro lado, oniscientes, plenos e completos, não veríamos propósito em querer ser o que seríamos.

porém, estamos constantemente buscando tocar a superfície. tudo porque a humanidade ainda é uma criança curiosa, tentado agarrar-se ao maior número de experiências que a rodeia, possível.

a segurança de encontrar alguém que você apenas sabe que sente o mesmo por você e,
a partir daí, ter um sentimento desperto por isso, que faz você querer fundir-se com essa pessoa.
transcender junto, para quando chegar do outro lado, antes mesmo de ser parte do todo, ser parte da outra parte. o supremo, o máximo, o definitivo orgasmo da vida.

esse orgasmo terminal de transcender junto, apenas é o rompimento dos limites físicos, é o cruzamento para a unidade universal. é a passagem da vida, para a morte. a paz presente na plenitude de realizar uma vida junta, que renda frutos. o amor vivido. o amor tem que ser vivido no âmbito cheio de limites e contornos do material, para ser catalisado na transcendência daqui, para lá.

morrer é o maior orgasmo da vida.

mas como a vida,  e para a vida poder proporcionar esse prazer, temos que cunhar o amor, lapidá-lo, buscá-lo, querê-lo, ansiar ao máximo.

vêm comigo? vou te entregar o que tenho de mais precioso, meu amor:

Meu Amor.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

velho amigo


"Vejo em foco, algo distante
que ao passar dos instantes
distancia-se de mim cada vez mais
até misturar-se ao fundo

Vejo algo ao longe e não sei dizer o que é,
misto na camuflagem da paisagem,
pensando diferente agora
vejo a figura maior que envolve meu foco inicial

Vejo na figura maior, um sentido,
as peças se encaixam,
fecham os buracos,
preenchem as lacunas.

Vejo o propósito da figura vista, como um todo.

Amplie sua perspectiva,
expanda sua mente,
veja com outros olhos a realidade que desejar."


Apenas um papel velho, que foi guardado e nunca lido.
Somewhere back in the day.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

ser.emos humanos?

a consciência para a expansão parte da unidade
caminhando para a onisciência do plural
preenchendo o todo na singularidade do indivíduo.

ser implica em cessar.
ser não é existir.
ser é uma meta.
ser é um estado.
ser é estar.

nos mínimos momentos em que somos, estamos deixando de existir,
tangenciamos a plenitude,
tocamos a superfície de algo que achamos gostar,
sentimos prazer.

ser.
ser é completo.
ser engloba tudo o que desprezamos e desgostamos.
ser é aceitar.
ser é o fim.

quando somos por completos,
não mais precisamos da matéria.
deixamos a necessidade física e fisiológica de lado.

ser é sentir tanto, ser é sentir tudo
ser é tão...
ser nos liberta do que conhecemos.
ser transpõe os limites concretos das idéias.

ser é viver 
ser é morrer.

ser é.
será?

sábado, 26 de outubro de 2013

o som da surdez

ouvi dizer
quem me dera poder escolher não ouvir

ser como respirar, como sentir gosto
só tapar o nariz e o cheiro não incomoda mais
só cuspir, só fechar a boca e pronto.

ainda como o olhar
apagar a luz,
cerrar as cortinas da alma

ou o toque que simplesmente podemos afastar.

mas a maldição da audição nos assola
até mesmo enquanto dormimos

os barulhos nos acordam.

nos acordam antes de uma luz
nos acordam antes de um gosto
e cheiros podem não nos acordar
e toques apenas acabam com o sono
mas os barulhos

mas os barulhos nos acordam.

e os que não nos acordam, entram sem percebermos
invadem,
rompem,
atravessam,
sem que nem percebamos onde estão indo

mas tudo isso que eu acredito
eu não sei,
só ouvi dizer. 

ouvi você declarar seu amor por mim
ouvi e me contentei
ouvi e sorri

ouvi seu coração falar através de sua boca

ouvi isso não com meus ouvidos
eles não sabem traduzir esse tipo de som

ouvi com uma única coisa
ouvi com o que era capaz de ouvir, traduzir, compreender e retribuir
ouvi com meu coração

e finalmente falei
gritei,
berrei
me fiz ouvir através do que não era som

esse sentimento que achava que conhecia
agora entendendo tudo o que sempre disseram
tudo o que sempre ouvi falar

tudo o que sempre ouvi falar não mais é apenas "ouvi dizer"
agora falo e ouço com meu coração.

deixei de apenas receber os sons
agora eles reverberam em mim e se tornam o que eu sou

domino e seleciono o que ouço dizer.
 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

sereno

na sua ausência rego o silêncio com música,
preencho o espaço com pensamentos

deitado de costas contra a cama
fecho os olhos e vejo seu corpo,
suas curvas,
seus altos e baixos

sombras dançam em sua silhueta
acariciam sua pele

sua respiração eleva seu corpo
infla,
levita,
ascende,

você é meu céu e minhas estrelas,
você se faz presente em minha vida.


 

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

will to live.


Daqui para a frente não assumo que eu não seja feliz.
Sei onde é para ir,
sei que quero ir e para lá que eu vou;
com licença a morte me espera e enquanto ela espera,
vou viver.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

amor, te.

admiração nos leva a lugares, 
não necessariamente a lugares em comum

mas afinal o que precisamos é apenas ir
chegar é consequência

assim como a companhia,
junto de nós mesmos, jamais estaremos sozinhos

a coisa é,
se conhecer a ponto de se aceitar pode ser assustador.

se conhecer e poder dialogar com sua sombra olhando nos olhos
se conhecer e não ter vergonha de si
se conhecer e se aceitar
se conhecer e ser íntegro em seu todo

encontre alguém que te veja através dela
alguém que se coloca como filtro de si

si em si
filtro que filtra e deixa passar

alguém que ao receber a projeção de sua imagem através de seus olhos,
coloque ela,
pura,
simplista,
honesta e
ingênua
em contato com o que ela percebe e conhece de você.

quando esse contato acontecer
algo fora do normal irá acontecer.

algo inexplicável tomará conta de você
sua razão não será mais tão certa,
sua racionalidade será emocional,
sua certeza não será confiável.

quando esse momento chegar e durar uma fração do que você espera,
você não vai aproveitá-lo, pois queria que ele durasse mais.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

eye of the storm


molhe-se nas lágrimas choradas pelas nuvens
sinta-as salgadas pela imensidão dos oceanos

as nuvens estão lamentando
há algo que as fez tristes
e elas não irão parar até estarem exauridas

os oceanos, como a memória de um elfante
por toda sua vida lembrarão das histórias em que nuvens imensas
uniram-se em uma tempestade e esbravejaram com vozes ferozes como trovões
e dentes afiados como raios partindo o céu

sem hesitar os oceanos acatam esse pranto
o sol reaparece e nasce um dia no mesmo dia
após uma escuridão como a da noite trazida pela tormenta
dois começos em um
os raios de sol partem o que restam das nuvens e rasgam para um novo dia

você, sentado na varanda de sua casa, que assistiu a todo o desabafo da terra
reclamando o que é seu
sente-se aliviado por ter acabado
inspira os ar fresco que está ascendendo com cheiro de grama
e olhando para tudo isso, pensa consigo que existem coisas erradas
coisas que precisam mudar, coisas que acabou de ouvir
coisas que a natureza bradou a plenos pulmões
e você não escutou.

mas a culpa não é sua, não sinta-se culpado
não era para você escutar e muito menos entender.
era a sua natureza recebendo um comunicado de sua mãe
e essa natureza em você entendeu o recado.

um dia, quando novamente a natureza mostrar seu lamento
através de raios e trovões encobertos por chuvas de lágrimas
deixe essa flor dentro de você desabrochar
abra esse canal, permita essa voz inaudível de dentro de você falar
não faça questão de entender
apenas seja o meio entre essas duas grandezas imensuráveis

quando você se for, elas ainda estarão aqui dizendo tudo que você jamais entendeu
contando como as histórias se repetem
e os espectadores vêm e vão cheios de pressa.

então, antes que tudo acabe
aqueça-se ao sol e deixe que ele seque suas lágrimas
o mesmo sol que relembra e cria nuvens que choram

de olhos fechados, eleve seu queixo
sinta a carícia do vento
e sorria em resposta de volta para o horizonte

domingo, 5 de junho de 2011

art


the curse of a blank page
the uneasiness of a silent moment

these occasions
that makes us create something
are precious

how does it make you feel?

when we face this situations
and we create stuff of our own
we are just taking a piece of us and giving it away
it's a beautiful gesture

creations are proof of selflessness
the gift of donating oneself
presenting the other with a boon

spread your seeds around
share in this moments part of you
there will never be an absence in you
others will fill you as they feel you

bless the blank and silence
their grace ables us to reply with greatness

answer the curse
fulfilling it with the only thing you have
pieces and parts of yourself
create and donate


quinta-feira, 19 de maio de 2011

be "yoursoulf"(unfinished)



looking forward to see
what tomorrow will be
bringing everlasting beats to your soul
the day starts from the silent night
driving with nowhere to go
towards what takes you high

let it fill you in and overflow your glow
feel it banging in your belly for once
and let your shout out
the desire of an impulse
moving as it just needs to move
nonstoping
never ending
everlasting

don't rush the river
it flows by itself
kickback, relax and take your time
enjoy your ride

the pitch and the rhythm are there for you to see
close eyes, listen to the hearing sound that world sings to you
music is the greatest gift gave to men
when it runs your veins
bliss takes over your heart
and your mind is no longer needed to save you
let yourself into the growing power of elevation

evolution is having total awareness of your pleasures
feed your guts with your desires
become one whole self

gather your weapons and go fight
identify with a cause and love it for what it is
you'll see your weapons are no guns and your fight is not physical
what you'll need is no bigger than a fist and fits inside your chest
and it pumps perfect beats making of it all you need.