quarta-feira, 14 de maio de 2014

death is the road to awe


e se eu apostasse todas minhas fichas em você?
e se eu fizesse todas as suas vontades?
e se eu fosse mais do que você pode imaginar?

ainda sim, iria pedir mais?
ainda sim, iria voltar? 
ainda sim, não desistiria?

é claro que você não sabe.
é claro que você diria que "sim"
é claro que iria corresponder, o que quer que fosse.

é claro...

estou no fundo do poço
não há mais para onde fugir
você fez meu coração bater tanto em mim,
que estou esgotado, 
não aguento mais uma batida
olho para cima e percebo
estou no fundo do poço, poço dos desejos

virei o depósito de tudo que você jamais sonhou
conheço cada canto da sua personalidade intrínseca

jogado onde você me jogou
estando aqui nesse fundo
vivo nesse chão de terra molhada,
de onde a água começa a brotar

gela meus pés, eu arrepio
cobre meus tornozelos, começo a perder a sensibilidade
já pelos meus joelhos, a respiração fica ofegante
no momento em que atinge minha barriga, entro em um estado de meditação

a água que brota, me dá vida, volto-me para mim em meio a esse sofrimento de prazeres

mantenho o controle até a altura do pescoço,
quando, toca meu queixo, me perco
o frio da água  envolvendo cada pedaço de mim,
faz com que meu corpo em estado catatônico, passe a tremer descontroladamente
a respiração perde o compasso, os músculos vibram
e então a água me cobre e seu nível continua subindo

envolto nesse desconforto, sinto meu corpo leve
agora o nível sobe rápido, meus pés descolam do chão
estou ascendendo
estou me elevando

carregado com todos os desejos que encontrei no fundo daquele poço
eu disparo de maneira estratosférica
subo
cresço
entro em mutação
evoluo
e mudo

obrigado!

não sou mais físico
não sou mais corpóreo
não sou mais palpável e nem tangível

sou sentido pelos sentidos e pelo coração

não estou presente e ao mesmo tempo faço parte
pertenço enquanto sou ausência

sou o universo que te rodeia
que te guia e que te rege
sou a energia que se tornou matéria para você poder ser
sou teus brios, sou teu dentro, sou nas tuas entranhas, 
cada
pedaço
de você.





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Você e eu sabemos que você não chegou aqui à tôa. Se você chegou aqui, assista esse trecho do filme A Fonte.

https://www.youtube.com/watch?v=vpMU6TG2rnw


segunda-feira, 5 de maio de 2014

facil.idade


me movimento, me mexo e me embrenho
minha vontade toca, respinga e atinge quem encontro pelo caminho

me vejo no caminho para me encontrar,
mas esse caminho é cheio de pessoas.
pessoas que querem saber de si
pessoas que querem
pessoas que não sabem se querem

algumas esbarro porque estão paradas,
outras vou de encontro e dou de frente
ainda há as que apenas encosto, quase sem tocar

mas todas e cada uma muda meu trajeto
passo a navegar uma rota diferente a cada encontro

desejado ou indesejado
esses encontros acabam me apontando para uma direção diferente

em meio a esse mar de pessoas,
ondas de frases sem sentido
tempestades de anseios
calmarias de sinceridade
e redemoinhos de relações,
levanto meu queixo e ando na prancha.

de olhos fechados e sorriso confiante, 
não conto os passos firmes que dou sem saber quando irei cair

aproveito o momento.
seco, protegido, seguro.

mergulho,
sou envolvido pela vida por todos os lados,
me afogo.

os instantes de luta até o mar de pessoas se infiltrar em meus pulmões são agonizantes.
sofro. não quero.

não tenho escolha, inspiro.
o que entra, que me preenche e que me faz viver,
era o mesmo que eu temia, tolamente, que entrasse.

pessoas, relações, encontros, acasos, coincidências, sincronicidade, interações,
tudo o que eu não tinha, me inunda por dentro, me fazendo transbordar e expirar vivo.

o que nos faz vivos é aquilo que tememos.
fale, expresse-se, diga, comunique, faça o que tem vontade, com quem tem vontade.

se você gosta de quem é, agradeça a todos que já inspirou.
e todos que já expiraram e tiveram que ir.

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Me apaixono por todos que conheço na vida, das mais variadas e diferentes formas, mas com certeza amo cada um que passou e por ser quem era, me afetou de alguma maneira. Fico surpreso como pode ser fácil amar, uma vez que você se permite. 

O que estou tentando dizer é, amo todos que conheci. Se você está lendo isso, obrigado.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

a saga do inexprimível.

a segurança de encontrar alguém.
a incapacidade de se expressar como desejado.

as limitações impostas pelo mundo físico.
mas que ao mesmo tempo, esse mesmo mundo que nos limita,
devido aos seus limites e contornos, nos permite ser duas coisas e,
a partir dai faz nascer o sentimento de querermos ser apenas um.

a constante batalha entre a unidade universal e egocentrismo individualista, sempre cômoda.
temos que ser gratos por nossos limites, afinal são essas limitações que fazem nós querermos transcender. claramente, se já estivéssemos do outro lado, oniscientes, plenos e completos, não veríamos propósito em querer ser o que seríamos.

porém, estamos constantemente buscando tocar a superfície. tudo porque a humanidade ainda é uma criança curiosa, tentado agarrar-se ao maior número de experiências que a rodeia, possível.

a segurança de encontrar alguém que você apenas sabe que sente o mesmo por você e,
a partir daí, ter um sentimento desperto por isso, que faz você querer fundir-se com essa pessoa.
transcender junto, para quando chegar do outro lado, antes mesmo de ser parte do todo, ser parte da outra parte. o supremo, o máximo, o definitivo orgasmo da vida.

esse orgasmo terminal de transcender junto, apenas é o rompimento dos limites físicos, é o cruzamento para a unidade universal. é a passagem da vida, para a morte. a paz presente na plenitude de realizar uma vida junta, que renda frutos. o amor vivido. o amor tem que ser vivido no âmbito cheio de limites e contornos do material, para ser catalisado na transcendência daqui, para lá.

morrer é o maior orgasmo da vida.

mas como a vida,  e para a vida poder proporcionar esse prazer, temos que cunhar o amor, lapidá-lo, buscá-lo, querê-lo, ansiar ao máximo.

vêm comigo? vou te entregar o que tenho de mais precioso, meu amor:

Meu Amor.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

velho amigo


"Vejo em foco, algo distante
que ao passar dos instantes
distancia-se de mim cada vez mais
até misturar-se ao fundo

Vejo algo ao longe e não sei dizer o que é,
misto na camuflagem da paisagem,
pensando diferente agora
vejo a figura maior que envolve meu foco inicial

Vejo na figura maior, um sentido,
as peças se encaixam,
fecham os buracos,
preenchem as lacunas.

Vejo o propósito da figura vista, como um todo.

Amplie sua perspectiva,
expanda sua mente,
veja com outros olhos a realidade que desejar."


Apenas um papel velho, que foi guardado e nunca lido.
Somewhere back in the day.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

ser.emos humanos?

a consciência para a expansão parte da unidade
caminhando para a onisciência do plural
preenchendo o todo na singularidade do indivíduo.

ser implica em cessar.
ser não é existir.
ser é uma meta.
ser é um estado.
ser é estar.

nos mínimos momentos em que somos, estamos deixando de existir,
tangenciamos a plenitude,
tocamos a superfície de algo que achamos gostar,
sentimos prazer.

ser.
ser é completo.
ser engloba tudo o que desprezamos e desgostamos.
ser é aceitar.
ser é o fim.

quando somos por completos,
não mais precisamos da matéria.
deixamos a necessidade física e fisiológica de lado.

ser é sentir tanto, ser é sentir tudo
ser é tão...
ser nos liberta do que conhecemos.
ser transpõe os limites concretos das idéias.

ser é viver 
ser é morrer.

ser é.
será?

sábado, 26 de outubro de 2013

o som da surdez

ouvi dizer
quem me dera poder escolher não ouvir

ser como respirar, como sentir gosto
só tapar o nariz e o cheiro não incomoda mais
só cuspir, só fechar a boca e pronto.

ainda como o olhar
apagar a luz,
cerrar as cortinas da alma

ou o toque que simplesmente podemos afastar.

mas a maldição da audição nos assola
até mesmo enquanto dormimos

os barulhos nos acordam.

nos acordam antes de uma luz
nos acordam antes de um gosto
e cheiros podem não nos acordar
e toques apenas acabam com o sono
mas os barulhos

mas os barulhos nos acordam.

e os que não nos acordam, entram sem percebermos
invadem,
rompem,
atravessam,
sem que nem percebamos onde estão indo

mas tudo isso que eu acredito
eu não sei,
só ouvi dizer. 

ouvi você declarar seu amor por mim
ouvi e me contentei
ouvi e sorri

ouvi seu coração falar através de sua boca

ouvi isso não com meus ouvidos
eles não sabem traduzir esse tipo de som

ouvi com uma única coisa
ouvi com o que era capaz de ouvir, traduzir, compreender e retribuir
ouvi com meu coração

e finalmente falei
gritei,
berrei
me fiz ouvir através do que não era som

esse sentimento que achava que conhecia
agora entendendo tudo o que sempre disseram
tudo o que sempre ouvi falar

tudo o que sempre ouvi falar não mais é apenas "ouvi dizer"
agora falo e ouço com meu coração.

deixei de apenas receber os sons
agora eles reverberam em mim e se tornam o que eu sou

domino e seleciono o que ouço dizer.
 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

sereno

na sua ausência rego o silêncio com música,
preencho o espaço com pensamentos

deitado de costas contra a cama
fecho os olhos e vejo seu corpo,
suas curvas,
seus altos e baixos

sombras dançam em sua silhueta
acariciam sua pele

sua respiração eleva seu corpo
infla,
levita,
ascende,

você é meu céu e minhas estrelas,
você se faz presente em minha vida.